Na manhã desta quinta-feira, 08.05.2008, a Polícia Militar Ambiental soltou três jacarés-de-papo-amarelo na Estação Ecológica de Carijós, Norte da Ilha de Santa Catarina.
Os animais encontravam-se no Centro de Triagem de Animais Silvestres da Polícia Ambiental, no Parque do Rio Vermelho, onde receberam alimentação e tratamento adequado, após terem sido capturados em Palhoça, Santo Antônio de Lisboa e outro em Jurerê, em áreas residências próximas ao mangue onde acabaram assuntando os moradores.
A causa dos animais deixarem o seu habitat foram as fortes chuvas que atingiram a região, provocando alagamento dos mangues e riachos.
Segundo o Sgtº Marcelo Duarte da Polícia Ambiental, a população não precisa ter medo dos jacarés, pois não há registro na região de ataque de jacaré-de-papo-amarelo contra as pessoas, a convivência é de absoluta paz.


Jacaré-de-papo-amarelo
Ordem: Crocodylia
Família: Alligatoridae
Nome científico: Caiman latirostris
Nome em inglês: Broad-snouted caiman
Distribuição geográfica: Leste do Brasil (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul), Uruguai, norte e nordeste da Argentina, Paraguai e leste da Bolívia
Hábitat: Brejos, mangues, lagoas, riachos e rios
Hábitos alimentares: Carnívoro, se alimentando de peixes, aves, crustáceos e mamíferos
Reprodução: Desova entre 17 e 50 ovos por postura, que eclodem após 70 a 80 dias de incubação.
Período de vida: Aproximadamente 50 anos
Os jacarés, juntamente com seus primos crocodilos e aligátores, surgiram na face da Terra há pelo menos 200 milhões de anos. Contemporâneos dos grandes dinossauros, também atingiram tamanhos gigantescos. O Purussaurus brasiliensis, um jacaré que viveu a 20 milhões de anos atrás, na região onde hoje fica a Bacia Amazônica, atingia cerca de 14 metros de comprimento, rivalizando em tamanho com o famoso Tyranossaurus rex.
Os jacarés sempre mostraram-se muito bem adaptados às condições de vida do planeta, sobrevivendo, inclusive, aos fatores que determinaram a extinção dos dinossauros. Apenas o homem, através da caça excessiva, poluição das águas e desmatamento, conseguiu colocar em risco a sobrevivência desses animais.
Esse é o caso do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) que habita brejos, lagos, pântanos e rios desde o litoral do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e bacias dos rios São Francisco, Paraná, Paraguai e Paraíba.
Apesar da ampla distribuição geográfica, o jacaré-do-papo-amarelo já esteve ameaçado de extinção em virtude da poluição de seu habitat e da caça predatória para a retirada do couro e consumo da carne. Com a proibição da caça a espécie se recuperou e não faz mais parte da lista de animais ameaçados de extinção.
O jacaré-do-papo-amarelo, juntamente com os outros crocodilianos, se destaca entre os répteis por apresentar cuidados com a sua prole. O macho forma um harém e após a cópula, que ocorre no verão, a fêmea constrói o ninho próximo à água usando folhas secas e fragmentos de plantas, cobrindo-o com folhas e areia.
Em média são postos de 25 a 30 ovos, e nesta época, a fêmea se torna mais agressiva permanecendo perto do ninho para evitar o ataque de predadores como o lagarto teiú e o quati. O sol e a fermentação dos vegetais no ninho proporcionam o calor necessário à incubação que varia de 70 a 90 dias.
Próximo à eclosão é possível ouvir a vocalização dos filhotes, ainda dentro dos ovos, chamando a mãe. Ela então, desmancha o ninho usando os membros anteriores e posteriores, e o focinho. Caso algum filhote tenha dificuldade ao nascer, a mãe o ajuda e posteriormente ela carrega cada um na boca até a água, cuidadosamente.
O macho cuida dos recém-nascidos que já estão na água e ambos os pais permanecem próximos aos filhotes, protegendo-os, ainda por um período de tempo. Apesar de toda essa proteção, os filhotes precisam se alimentar sozinhos e quando pequenos comem insetos e invertebrados.
Os adultos atingem até 2,5 metros de comprimento e se alimentam de caramujos, peixes, aves e pequenos mamíferos. Como todos os crocodilianos, tem uma vida longa e, provavelmente, pode ultrapassar os 50 anos de idade. Ao contrário dos mamíferos, quanto mais velho, torna-se maior e mais forte.
Embora os jacarés assustem as pessoas pelo seu tamanho e aspecto pré-histórico, são animais extremamente importantes para o equilíbrio ecológico, pois agem na cadeia alimentar controlando as espécies que fazem parte da sua dieta, além de controlarem a população dos caramujos transmissores de doenças, como a esquistossomose (barriga d’ água). Além disso, suas fezes servem de alimento a peixes e a outros seres aquáticos.
Flávio de Barros Molina
Luana Paola
Atualizado por Cybele Sabino Lisboa
Fundação Parque Zoológico de São Paulo
Setor de Répteis
www.projetobiosfera.com.br
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